Brasil tem mais carros convocados em recalls do que veículos emplacados em 2015
Mais de 2,5 milhões de unidades foram chamadas para conserto por apresentar algum tipo de defeito de fábrica. O número é tão alto que já superou em mais de um milhão o recorde anterior, que era do ano passado.
SUV de luxo Vogue teve 2 recalls em 2015
Crédito: Wikipedia
Por Alana Ambrósio
O investimento para quem compra um carro é grande: R$ 30 mil, R$ 40 mil, às vezes mais de R$ 100 mil. E uma única peça com defeito pode colocar em risco a segurança do consumidor. Parece difícil de acontecer, mas só neste ano já foram 2.534.322 veículos convocados em recalls.
Isso significa que há mais carros com problemas admitidos pelos fabricantes do que o total de emplacados neste ano, que gira em torno de 2,1 milhões, segundo o Departamento Nacional de Trânsito. O número, calculado através de dados que o Procon disponibiliza, é recorde histórico desde que o órgão começou a contagem, em 2002. E supera em mais de um milhão o recorde anterior, que era do ano passado.
A alta pode ser atribuída ao forte crescimento do setor a partir de 2007. Com o aumento da procura e da competitividade, a oferta de modelos e componentes teve que se diversificar, diz o professor da FGV especializado no setor automotivo, Antonio Jorge Martins.
O boom de recalls no Brasil acompanha uma tendência mundial. Os gastos para as montadoras são elevados, principalmente com a divulgação da campanha aos consumidores. Já o custo dos reparos, na maioria das vezes, está segurado e os próprios fornecedores arcam com boa parte do valor. Assim, evitar que a visibilidade da marca seja afetada por publicidade ruim virou uma estratégia.
Rodrigo Custódio, diretor automotivo da consultoria internacional Roland Berger, aponta que dessa forma as campanhas de recall podem beneficiar a marca. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores também vê a realização de recalls com bons olhos. Segundo a Anfavea, isso reflete uma atitude madura das montadoras.
Além do prejuízo à imagem da empresa, o processo pode ocasionar uma multa, que no Brasil varia entre R$ 530 e R$ 8 milhões. O diretor de fiscalização do Procon-SP, Paulo Miguel, explica que o tipo de problema determina o valor.
O teto, raramente aplicado, foi estipulado recentemente à montadora Volkswagen, pela fraude mundial sobre a emissão de poluentes por motores da empresa.
Ainda que seja obrigatório por lei divulgar na mídia os recalls, é possível questionar a efetividade das campanhas realizadas pelas montadoras. Os principais interessados, os consumidores, nem sempre levam o carro para reparo. Apenas 1/3 do total de veículos com defeito de fábrica convocados atendem ao chamado. Isso significa que seis em cada nove carros nas ruas e estradas brasileiras podem oferecer algum tipo de risco aos motoristas.
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